DA SÉRIE “SALVE A CIDADANIA”

imagem de Décio Curci

Lendo a crônica do poeta Ivan Jubert Guimarães sobre o livro de Ernest Hemingway “Por quem os Sinos Dobram”, que no romance, toda vez que alguém morria, os sinos dobravam. Se assim fosse nos dias de hoje e se a prática vingasse em São Paulo, haveria diariamente um barulho ensurdecedor, tal o número de pessoas que morrem todos os dias.
Até porque a morte como hoje é vista, apesar do sentimento dolorido que ainda provoca em alguns poucos, as pessoas “não estão nem aí com quem morre ou deixa de morrer”, como bem disse o cronista.
Assim como não mais se respeita a morte, igualmente não se respeita as leis, as normas de cidadania, de respeito ao próximo, à natureza, àquilo que é certo, e assim por diante.
No domingo passado numa calma manhã resolvi dar uma volta para fazer compras na feira e no supermercado. Mas não sei por que razão,  resolvi fazer um exercício de constatação de cidadania. Passei a anotar todas as ações das pessoas que infringissem regras e bons costumes. Fiquei abismado de tanta contravenção, de tantas coisas erradas, no trânsito, no comportamento das pessoas na feira, no supermercado, nas “furadas” de filas, com completa ignorância ao respeito do direito dos outros. Você acha certo, por exemplo, alguém reservar lugar na fila? Pois até na fila do caixa do supermercado existe essa prática. E como fica quem está nela há tempos e algum artista lhe passa à sua frente, numa boa como se nada tivesse acontecido? E na feira, as pessoas apertam os tomates, as frutas, deixando quem vem atrás com a brocha na mão, pois se tem a impressão de que a escada nos foi tirada. E nos ônibus,s você já reparou quantos jovens sentam no lugar reservado aos idosos? O velhinho ou a velhinha que se dane, que fiquem em pé enquanto eles usufruem da cômoda poltrona.
Foi tal o número de abusos que observei a ponto de aborrecer-me e quase estragar meu domingo. Então parei com a pesquisa, mas fica a pergunta: quando será que alcançaremos a fase de respeito que os irmãos canadenses têm? La em Toronto, existe uma placa pedindo para as pessoas pisarem na grama, que precisa ser compactada. A placa existe porque os cidadãos não pisam na grama de jeito nenhum. Seria este desejo um sonho de verão? E se na escolha dos candidatos tivéssemos esse sentimento de cidadania, elegendo os melhores, por seu mérito,  trabalho e seriedade e não por camisetas ou bolsas?

 

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